Varizes voltam depois da cirurgia? Entenda de uma vez por todas

Dra. Catarina Almeida

Dra. Catarina Almeida

Médica especializada em Cirurgia Vascular, Endovascular e Tratamento de Varizes.

Pernas de uma pessoa com varizes visíveis em diferentes calibres e formatos, com veias azuladas e arroxeadas destacando-se sob a pele.

“Doutora, fiz a cirurgia… mas as varizes voltaram. Isso é normal?”

Sim e não. Vou te explicar por quê

A ideia de que as “varizes voltam” depois do tratamento é muito comum entre os pacientes.

Mas o que poucos realmente sabem é que, quando tratadas da forma certa, as veias comprometidas deixam de existir. Elas não “voltam”.

O que pode acontecer, e acontece em cerca de 80% dos pacientes tratados, é o surgimento de novas varizes em outras veias.

A causa dessa recidiva não é totalmente esclarecida. Mas o que já sabemos, e é justamente o que eu vou te explicar aqui, é que existem ao menos três tipos diferentes de varizes que podem surgir após o tratamento.

Além disso, neste conteúdo, eu vou te explicar:

  • Se isso pode acontecer por uma falha na escolha da técnica utilizada;
  • Quem tem maior risco de desenvolver novas varizes após o tratamento;
  • E, principalmente, o que fazer para manter o quadro controlado, evitando que as “varizes voltem” e que novas varizes surjam.

Siga com a leitura.

Como assim, varizes não voltam?

Homem de pele clara com expressão séria, usando óculos de armação preta e camiseta verde clara, em um ambiente interno com prateleiras desfocadas ao fundo.


Quando realizamos o tratamento adequado das varizes (guarde isso!), o objetivo é justamente eliminar aquela veia doente.

Dependendo da técnica, essa veia pode ser retirada, fechada ou obliterada internamente. Mas em todos os casos, o resultado é o mesmo: aquela veia deixa de cumprir sua função, é excluída da circulação e, na prática, deixa de existir.

Por isso, as veias tratadas não podem “voltar a ser varizes”. Elas foram removidas do processo.

O que acontece é que outras veias, que antes estavam preservadas, podem começar a se dilatar com o tempo. E isso tem relação direta com a natureza da doença venosa crônica, que continua ativa mesmo após o tratamento.


3 diferentes tipos de varizes que podem surgir após o tratamento

Mão de cirurgião vascular segurando o transdutor do ecodoppler encostado na perna de um paciente, com gel visível na pele e foco em varizes superficiais, em ambiente clínico.


Agora que você já entendeu que as veias tratadas não voltam, mas que outras podem surgir com o tempo, é importante saber que nem todas são iguais.

Na prática, nós, cirurgiões vasculares, sempre destacamos essa classificação, que define três tipos principais de varizes que podem aparecer depois do tratamento:


1. Varizes residuais

São varizes que já existiam na época do tratamento, mas não foram tratadas.

2. Varizes recorrentes

São veias que voltam a aparecer após o tratamento porque reabriram ou por complicações após o tratamento.

3. Novas varizes

São veias que surgem em locais onde não havia varizes no momento do tratamento.

Esse é o tipo mais comum após o tratamento, especialmente em pacientes que não mantêm o acompanhamento regular ou não seguem as orientações de manutenção.


Por que as varizes voltam a aparecer depois de um tratamento cirúrgico?

Dra. Catarina, de jaleco branco e calça preta, sentada com os tornozelos cruzados em uma maca, no consultório, olhando para um tablet em suas mãos.


Se lá em cima eu falei que as veias tratadas não voltam, como é que agora estou dizendo que existem varizes recorrentes, que voltam mesmo após o tratamento?

Parece uma contradição, mas não é.

Quando tratamos as varizes de forma adequada, aquela veia comprometida deixa de existir. Ela é retirada, fechada ou obliterada e, por isso, não volta a funcionar nem a se dilatar novamente.

O que acontece em alguns casos, e é justamente onde entra o termo varizes recorrentes, é que a veia tratada pode reabrir ou voltar a apresentar dilatação. Isso não é o esperado, mas pode acontecer, principalmente por dois motivos:

  1. Quando a técnica utilizada não foi a mais adequada para aquele caso específico;
  2. Ou quando há alguma complicação no pós-operatório, que prejudica o resultado do tratamento.

Ou seja:

Veias tratadas corretamente, dentro do protocolo, não voltam.


Mas se houver falha da técnica ou complicação, existe o risco de recorrência.

Por que exatamente a escolha da técnica influencia no retorno das varizes? 

Dra Catarina vestindo uniforme preto, ajustando luvas rosas nas mãos, com foco apenas no tronco e nos braços.

Quando dizemos que a técnica pode não ser a ideal, é porque cada paciente tem um quadro diferente:

  • Tamanho e calibre das veias.
  • Presença de insuficiência em veias mais profundas.
  • Histórico de cirurgias ou tratamentos anteriores.
  • Grau de avanço da doença.

Por exemplo, em alguns casos, o médico opta pela espuma, enquanto em outros indica o endolaser por oferecer um resultado mais adequado. Tudo depende da avaliação técnica individual.

E é justamente aí que entra a importância de uma escolha bem feita.

Quando a técnica utilizada não está alinhada com as necessidades do paciente, aumentam os riscos de as veias não serem tratadas de forma completa, surgirem recorrências e o paciente ter a falsa impressão de que o tratamento “não funcionou”, quando, na verdade, houve uma escolha inadequada do método.

Quem tem maior risco de desenvolver novas varizes após o tratamento?

Dra Catarina usando equipamento para projeção de veias no antebraço, segurando o aparelho com uma mão e visualizando a projeção em tom vermelho sobre a pele

Embora o surgimento de novas varizes após o tratamento seja algo possível em qualquer paciente com doença venosa crônica, existem fatores que aumentam significativamente esse risco.

Na prática, observamos que determinados perfis têm maior tendência a desenvolver recidiva da doença, ou seja, o surgimento de novas varizes em veias que antes estavam preservadas.

Os principais fatores associados são:

  • Pacientes acima do peso, já que o excesso de peso aumenta a pressão sobre as veias das pernas, favorecendo a dilatação.
  • Presença de sinais de doença venosa crônica avançada, como alterações de pele e feridas (úlcera venosa), que indicam um quadro mais grave e de evolução mais difícil.
  • Pacientes do sexo masculino, que embora apresentem varizes com menos frequência que as mulheres, quando têm, costumam apresentar quadros mais avançados e de maior complexidade.
  • Comprometimento do sistema venoso profundo, que é uma condição mais séria e pode dificultar o controle da doença mesmo após o tratamento das veias superficiais.
  • Falta de adesão ao tratamento clínico e às orientações pós-tratamento, como o uso de meias de compressão, prática de atividade física e controle de fatores de risco associados.

Quanto mais fatores desses estiverem presentes no mesmo paciente, maior a chance de recorrência.

O que devo fazer se tiver varizes após cirurgia?

Homem jovem de pele clara usando camiseta azul, com expressão de dúvida e uma das mãos apoiada na parte de trás da cabeça.


O paciente deve buscar o auxílio médico adequado para entender melhor o que está acontecendo.

Assim, caso elas retornem, busque seu cirurgião de vascular, para que uma avaliação seja feita de maneira correta e que as ações necessárias sejam bem elaboradas, trazendo o alívio e a qualidade de vida que cada paciente busca e merece.

Como funciona a manutenção após o tratamento de varizes?

Você garante que as varizes fiquem sob controle mantendo a rotina de acompanhamento e manutenção. 

Esse acompanhamento periódico com o cirurgião vascular é essencial, mesmo sendo muitas vezes negligenciado por quem já realizou um procedimento.

É por meio dessas consultas que conseguimos monitorar, de forma regular, se há sinais de novas varizes começando a se formar, antes mesmo que se tornem visíveis ou causem sintomas.

O acompanhamento costuma ser feito a cada 6 a 12 meses, podendo variar de acordo com o quadro do paciente.

Durante as consultas, além da avaliação clínica, é realizado o ecodoppler venoso para checar a circulação nas veias superficiais e profundas.

E por que isso é tão importante? Identificar pequenas alterações cedo permite tratar de forma muito mais simples, com aplicações localizadas, sessões de laser ou ajustes na rotina do paciente, e evita que o quadro evolua para algo maior.

Ignorar essa etapa é, na prática, um dos erros mais comuns.

É justamente o que faz com que muitos pacientes precisem de novos procedimentos quando poderiam ter mantido o controle de forma mais leve e menos invasiva.

Tratar varizes é um cuidado contínuo, e vale a pena

Perna com varizes azuladas visíveis, sendo examinada por mãos femininas com unhas vermelhas,


Se há algo que precisa ficar claro depois de tudo o que falamos até aqui, é o seguinte: tratar varizes exige cuidado contínuo, não é um evento isolado.

A pergunta “varizes voltam?” é comum entre os pacientes, e a resposta é que as veias tratadas da forma certa realmente não voltam, mas novas varizes podem surgir com o tempo, justamente porque a doença venosa crônica continua ativa.

Por isso, mais do que simplesmente buscar um procedimento, o paciente precisa seguir com o acompanhamento e fazer os ajustes necessários para manter o resultado no longo prazo.

É justamente essa constância que evita frustrações e garante que suas pernas continuem saudáveis, sem dores, sem inchaço e sem o desconforto estético que as varizes podem causar.

Se você tem varizes ou já passou por um tratamento e quer orientação adequada para manter tudo sob controle, entre em contato com a nossa equipe.

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