Quando um paciente me procura para tratar varizes, ele dificilmente imagina que vamos falar sobre como evitar que as varizes voltem, porque acredita que o resultado vai durar para sempre.
Eu entendo. Afinal, ninguém quer voltar a sentir o desconforto dos sintomas das varizes nem enfrentar o incômodo estético que elas causam.
Mas a realidade é que as varizes são uma doença crônica.
Isso significa que, mesmo após um procedimento bem-feito, o corpo pode desenvolver novos vasos dilatados com o tempo.
O que quero mostrar aqui é que isso não é um “fracasso” do tratamento, e sim parte da natureza da doença.
Mais importante: existem formas eficazes de reduzir muito esse risco e proteger os resultados que você conquistou.
Ao longo deste conteúdo, vou explicar o que são as varizes recorrentes, por que elas podem voltar, qual é o papel da manutenção e como evitar que as varizes voltem, preservando seus resultados a longo prazo.
Sei que você pode ter muitas perguntas, e todas as respostas estão neste conteúdo. Continue a leitura.
O que são varizes recorrentes

As varizes recorrentes são aquelas que surgem depois do tratamento.
Você pode estar pensando: “Mas o tratamento de varizes não acaba com as varizes?”.
Sim e não.
O ponto central é entender que o tratamento atua sobre as veias doentes identificadas no momento, mas não elimina a causa: a doença venosa crônica.
Essa condição progressiva afeta a função das válvulas dentro das veias. Elas funcionam como portões que impedem o sangue de descer e se acumular nas pernas.
Quando essas válvulas se tornam insuficientes, o sangue reflui (o chamado refluxo venoso), aumentando a pressão interna da veia e provocando sua dilatação permanente.
No tratamento, conseguimos remover, fechar ou obliterar as veias comprometidas, interrompendo o refluxo naquele ponto.
No entanto, o restante do sistema venoso continua sujeito aos mesmos fatores que causaram as varizes iniciais, o que significa que outras veias podem adoecer ao longo do tempo.
Por isso, o termo “recorrente” pode causar confusão. Na maioria dos casos, não estamos falando da mesma veia voltando, mas de novas varizes surgindo em veias que antes eram saudáveis.
Por que as varizes podem “voltar”?
A primeira coisa que sempre digo é: as varizes tratadas adequadamente não voltam.
Como explico neste conteúdo (Varizes após a cirurgia: qual a causa?), quando realizamos o tratamento correto, o objetivo é excluir aquela veia da circulação.
Isso pode ser feito de três maneiras:
- Retirada cirúrgica (como na safenectomia ou flebectomia).
- Fechamento térmico (com técnicas como o endolaser).
- Obliteração química (com a escleroterapia líquida ou com espuma).
Independentemente do tratamento, o resultado é o mesmo: aquela veia tratada deixa de cumprir sua função, não recebe mais sangue e, na prática, deixa de existir.
O que chamamos de varizes recorrentes pode acontecer por dois cenários:
- Recorrência verdadeira: a mesma veia tratada volta a ter refluxo. É raro, mas pode ocorrer se o tratamento foi mal executado, se houve falha no fechamento da veia ou se o corpo reagiu de forma incomum, formando uma recanalização (quando o vaso volta a se abrir e o sangue passa novamente por ele).
- Novas varizes: outras veias, que estavam normais no momento do tratamento, sofrem desgaste ao longo dos anos e passam a apresentar refluxo e dilatação. Esse é, de longe, o cenário mais comum.
Essa distinção é importante para você entender que a “volta” das varizes não significa, na maioria das vezes, que houve um erro no tratamento.
O que acontece é a evolução natural de uma doença crônica, que continua ativa e precisa de acompanhamento para que seus resultados sejam preservados pelo maior tempo possível.
O desafio de manter o cuidado quando as pernas já estão bem

Oriento todos a voltarem periodicamente, sendo que o intervalo entre as consultas depende do tipo de tratamento realizado e da tendência de cada paciente.
Muitos não retornam após um ano, e outros apenas depois de dois a três anos do tratamento, mesmo com a orientação dada.
Entendo que, quando o resultado está ótimo, é natural pensar que não há mais necessidade de acompanhamento. No entanto, é justamente nesse momento que o risco aumenta.
A doença venosa crônica é uma condição permanente e, mesmo após o tratamento, continua demandando atenção.
Por isso, seguir o acompanhamento periódico é uma das formas mais eficazes de como evitar que as varizes voltem, já que permite monitorar a evolução do sistema venoso e adotar medidas precoces que preservem os resultados obtidos.
Vale lembrar que, quanto mais cedo o tratamento é iniciado, menos invasivo e menos agressivo ele tende a ser.
Como funciona a manutenção?

O intervalo entre uma consulta e outra varia conforme a necessidade de cada paciente, mas, na maioria dos casos, recomendo retornos anuais e, em uma minoria de casos, a cada seis meses.
Nessas avaliações, realizo a consulta e, quando indicado, especialmente para pacientes que trataram safenas, faço novamente o exame de ultrassonografia para avaliar a função das válvulas e a presença de refluxo no sistema venoso profundo e superficial.
Se encontro alguma alteração, já realizo uma sessão de tratamento no mesmo momento.
Na maior parte dos casos, isso é suficiente para o paciente retornar apenas no ano seguinte. Em outras situações, não é necessário realizar nenhuma intervenção, apenas manter o acompanhamento.
Por que não vale a pena adiar ou pular o acompanhamento

Muitas vezes, a decisão de não vir à manutenção é motivada por justificativas que parecem razoáveis no momento, mas que, na prática, colocam o resultado em risco. Entre as mais comuns:
“Não sinto mais nada”
A ausência de sintomas não garante que a circulação esteja normal. Pequenas alterações podem existir e progredir sem causar desconforto imediato.
“Não tenho tempo”
Consultas de manutenção são rápidas e evitam que você precise passar por um tratamento mais longo e complexo no futuro.
“Tenho medo de sentir dor”
Se você já se tratou comigo, sabe que utilizo técnicas modernas e minimamente invasivas, como o endolaser, e que, para tornar o procedimento ainda mais confortável, conto com o uso do óxido nitroso.
Talvez você até tenha sido um daqueles pacientes que relaxaram tanto que acabaram cochilando durante o tratamento!
A manutenção nem sempre significa refazer o tratamento. Muitas vezes, é apenas um momento de avaliação e monitoramento do sistema venoso, permitindo identificar precocemente qualquer alteração e agir antes que ela cause sintomas ou comprometa os resultados.
Além de tudo isso, a manutenção não exige um compromisso frequente. Geralmente acontece apenas uma ou duas vezes por ano.
É um intervalo que se encaixa facilmente na rotina, mesmo para quem tem pouco tempo, e é o suficiente para preservar os resultados e a qualidade de vida a longo prazo.
Manter é parte do tratamento

Tratar varizes é um marco importante na saúde vascular e na autoestima, mas o cuidado não termina no dia do procedimento.
A manutenção é o que garante que todo o investimento de tempo, energia e recursos se traduza em benefícios duradouros e é uma das principais formas de como evitar que as varizes voltem.
Se você já tratou varizes ou está nessa fase de acompanhamento, não adie sua consulta de manutenção.
Esse cuidado pode ser o passo mais importante para preservar a saúde e a beleza das suas pernas por muitos anos.