O que você precisa saber sobre lipedema antes de achar que é “só gordura localizada”

Dra. Catarina Almeida

Dra. Catarina Almeida

Médica especializada em Cirurgia Vascular, Endovascular e Tratamento de Varizes.

Apesar de afetar entre 10% e 18% das mulheres no mundo, o lipedema ainda é uma condição subdiagnosticada — e muitas vezes confundida com excesso de peso ou acúmulo de gordura localizada.

Foi apenas em 1940 que o lipedema foi descrito pela primeira vez como uma doença, e desde então, os avanços têm sido lentos.

Mas isso está mudando.

Nos últimos anos, as pesquisas sobre o tema vêm ganhando força e, com elas, mais mulheres têm conseguido encontrar respostas, diagnóstico e tratamento adequados.

Neste conteúdo, vamos explicar:

– O que é o lipedema,
– Quais são seus sinais e sintomas,
– Como é feito o diagnóstico,
– Quais as opções de tratamento,
– E o que há de mais recente nas pesquisas sobre o tema.

Siga a leitura para entender por que reconhecer essa condição faz tanta diferença na vida das mulheres, e pode transformar a sua também. 

O que é lipedema?


O lipedema é uma doença crônica que provoca o acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo — principalmente nos braços e nas pernas.

Essa gordura tem um comportamento diferente da gordura “comum”: ela não responde aos métodos tradicionais de perda de peso, como dieta e exercício, e por isso é considerada uma gordura doente, com características inflamatórias.

Apesar de ser bastante prevalente, o lipedema ainda é pouco conhecido, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento de muitas mulheres.

Um avanço importante aconteceu em 2022, com a inclusão do lipedema na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), sob o código EF02.2.

Essa inclusão fortalece o reconhecimento da condição como uma doença real, com critérios diagnósticos, necessidade de tratamento e impactos significativos na saúde e qualidade de vida.

No Brasil, como está o reconhecimento do lipedema? 

Atualmente, o Brasil ainda não adotou oficialmente o CID-11.

No entanto, a previsão é que a implementação ocorra em 2027, o que permitirá a capacitação dos profissionais de saúde e a atualização dos sistemas médicos para incluir o lipedema como diagnóstico clínico reconhecido.

Para entender melhor, aqui estão algumas características principais do lipedema:

  • É uma condição crônica: uma vez instalada, precisa de acompanhamento ao longo da vida.
  • Acomete de forma simétrica: se aparece em um braço, também aparece no outro; o mesmo vale para as pernas.
  • Provoca desproporção corporal: há um contraste visível entre as regiões afetadas e as demais áreas do corpo.
  • Tem influência genética: ou seja, pode haver histórico familiar.
  • É uma doença progressiva: tende a piorar com o tempo, especialmente sem o tratamento adequado.


A seguir, vou te mostrar como o lipedema é classificado, quais são os seus sintomas e responder três dúvidas importantes sobre o tema.

Como o lipedema é classificado?

A classificação do lipedema é feita com base em dois critérios:

  1. A região do corpo afetada, e
  2. o estágio de progressão da doença.


De maneira geral são 5 tipos de lipedema, que acontecem de acordo com a região do corpo que acometem, sendo:

  • Tipo 1 – da região do umbigo até os glúteos;
  • Tipo 2 – glúteos e coxas;
  • Tipo 3 – a perna toda, indo dos glúteos às canelas;
  • Tipo 4 – apenas os braços;
  • Tipo 5 – da região dos joelhos até as canelas.


É comum que uma mesma paciente apresente mais de um tipo ao mesmo tempo — por exemplo, tipo 3 + tipo 4.

E a partir dessa tipologia, e também por outras condições da saúde e da rotina do paciente, ele pode acabar se encontrando em um dos 4 estágios do lipedema, sendo:

  • Estágio 1 – existem alguns nódulos de gordura acumulada, nem tão visíveis e muitas vezes confundidos com a celulite;
  • Estágio 2 – além dos nódulos, a pele acaba sendo mais flácida;
  • Estágio 3 – surgem áreas de gordura mais endurecida e fibrosada, com desproporções evidentes no corpo;
  • Estágio 4 – além das alterações anteriores, há comprometimento do sistema linfático, com inchaço mais intenso (linfedema associado), dores, dificuldade de locomoção e impacto na qualidade de vida.


Você percebe? Essa progressão mostra que o lipedema não é uma condição exclusivamente estética, mas sim uma doença crônica que necessita de tratamento

Quais são os principais sintomas do lipedema?


Os sintomas do lipedema são bastante específicos e, como você verá, identificá-los é essencial para um diagnóstico mais preciso da condição. Eles incluem principalmente:

  • Acúmulo simétrico de gordura em braços e pernas, com desproporção entre membros e tronco;
  • Dores nas regiões afetadas, especialmente ao toque;
  • Manchas roxas sem muita explicação, por causa da fragilidade dos vasos sanguíneos nessas regiões;
  • Gordura que cresce em grupos, como nódulos;
  • Sensação de peso nas pernas;
  • Dormência ou sensibilidade alterada nas regiões afetadas;
  • Pele fria ao toque;
  • Dificuldade de mobilidade (a partir dos estágios 3 e 4 da doença).

Muitas mulheres convivem com esses sintomas por anos, sem saber que se trata de uma doença. Com o acompanhamento adequado, é possível controlar o avanço do lipedema e recuperar qualidade de vida.

As 3 perguntas mais comuns sobre o lipedema


Apesar de ser uma condição prevalente, o lipedema ainda levanta muitas dúvidas. A seguir, respondo três perguntas que costumam surgir com frequência no consultório e nas redes

1. Lipedema é a mesma coisa que obesidade?


Essa é uma das confusões mais frequentes e também uma das mais prejudiciais para quem convive com o lipedema.

Isso acontece porque, durante muito tempo, a falta de pesquisa sobre o tema levou à associação equivocada entre lipedema e obesidade.

Essa visão equivocada impediu que muitas mulheres recebessem o diagnóstico e o tratamento corretos, gerando culpa, frustração e atrasos no cuidado.

Mas, apesar de ambas serem doenças, lipedema e obesidade são condições diferentes.

  • A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura em todo o corpo, e está frequentemente associada a problemas como hipertensão, diabetes tipo 2, apneia do sono, entre outros. 

Segundo dados da OMS de 2024, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo convivem com a obesidade — homens e mulheres.

  • O lipedema, por outro lado, afeta quase exclusivamente mulheres e provoca um acúmulo simétrico e doloroso de gordura em áreas específicas, como braços e pernas.

    E o ponto mais importante: essa gordura não responde aos métodos convencionais de perda de peso, como dieta e exercício.

Ou seja, é possível que uma mulher com lipedema tenha um corpo magro, mas ainda assim conviva com gordura acumulada nas pernas, por exemplo. 

2. Qual a diferença entre linfedema e lipedema?


Embora os nomes sejam parecidos e as duas condições possam coexistir, linfedema e lipedema não são a mesma coisa.

  • O linfedema é uma disfunção do sistema linfático. Acontece quando há acúmulo de linfa (um líquido rico em proteínas) nos tecidos, provocando inchaço, sensação de peso, dor e endurecimento da pele.
  • O lipedema, por sua vez, é um distúrbio do tecido adiposo — ou seja, da gordura — e provoca acúmulo de gordura inflamada em regiões específicas do corpo.

Em estágios mais avançados do lipedema (graus 3 e 4), pode haver associação com o linfedema, principalmente quando não há cuidados com alimentação, prática regular de atividade física e manejo clínico adequado. Quando isso acontece, dizemos que o paciente desenvolveu um quadro de lipo-linfedema.

3. Por que o lipedema afeta quase exclusivamente mulheres?


A resposta está em dois fatores principais: hormônios e genética.

Mais especificamente, pesquisas recentes indicam que o lipedema está relacionado à ação do estrogênio — o principal hormônio feminino. Isso explica por que a doença costuma aparecer em fases de grandes mudanças hormonais, como:

  • Puberdade
  • Gravidez
  • Menopausa

Além disso, já foi comprovado que pessoas com lipedema possuem alterações genéticas específicas, mas essas alterações raramente são encontradas em homens.

É exatamente por isso que as mulheres representam a esmagadora maioria dos casos de lipedema, sendo os casos em homens exceções raríssimas.

Diagnóstico, cura e tratamento


Agora que já expliquei o que é o lipedema, vou te mostrar como é feito o diagnóstico, se há cura e quais são as opções de tratamento para melhorar sua qualidade de vida.

1. Como funciona o diagnóstico?


Por ser uma doença crônica e com estágios distintos, o diagnóstico do lipedema exige uma avaliação cuidadosa, realizada em diferentes etapas. Entre elas, destacam-se:

  • Avaliação clínica completa, com anamnese detalhada e análise dos principais sintomas relatados;
  • Exames laboratoriais, como hemograma e dosagens para avaliar a função hepática, tireoidiana, renal, perfil lipídico e níveis de insulina;
  • Exames de imagem, como ultrassonografia com Doppler, cintilografia linfática, tomografia e análise da composição corporal (quantidade e distribuição de gordura).

Nesse contexto, vale reforçar que quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de evitar a progressão para os estágios mais avançados (graus 3 e 4), que costumam impactar de forma significativa a mobilidade, o bem-estar e a qualidade de vida.

2. O lipedema tem cura?


Infelizmente, ainda não existe cura para o lipedema.
Mas isso não significa que não haja o que fazer.

O tratamento correto ajuda a controlar a evolução da doença, aliviar os sintomas e, principalmente, melhorar a qualidade de vida.

Quanto mais cedo começamos, maiores são os resultados — por isso, reconhecer os sinais do lipedema nos estágios iniciais pode fazer toda a diferença.

3. Como é feito o tratamento?


O tratamento do lipedema pode seguir duas abordagens principais — e, na maioria das vezes, elas se complementam:

1. Tratamento clínico (não cirúrgico)

Envolve acompanhamento contínuo e multidisciplinar, com foco em:

– Uso de medicamentos, quando necessário
– Prática regular de atividade física orientada
– Drenagem linfática manual
– Massagens específicas
– Uso de meias de compressão
– Mudanças alimentares adaptadas à realidade do paciente

Com isso, essas medidas ajudam a reduzir os sintomas, estabilizar o quadro e melhorar a função linfática.

2. Tratamento cirúrgico (lipoaspiração específica para lipedema)

Em casos selecionados, pode ser indicada a lipoaspiração adaptada para lipedema, um procedimento voltado à remoção da gordura doente.

A gordura retirada não retorna nas áreas tratadas, desde que o paciente mantenha cuidados posteriores, como atividade física regular e alimentação equilibrada.

Por isso, a escolha do melhor caminho depende de uma avaliação individualizada, que leve em conta o estágio da doença e as condições clínicas do paciente.

Quem trata o lipedema — e onde buscar ajuda em Recife

Se você mora em Recife e está em busca de diagnóstico ou tratamento para lipedema, o primeiro passo é procurar um médico que conheça a fundo essa condição.

Nesse sentido, o acompanhamento deve ser feito por profissionais com formação adequada, como por exemplo:

  • Médico vascular
  • Endocrinologista (em casos associados a distúrbios metabólicos ou hormonais)

Além disso, o tratamento é ainda mais eficaz quando há um acompanhamento multidisciplinar. Outros profissionais que podem fazer parte desse cuidado são:

  • Nutricionista, para ajudar na organização alimentar e controle inflamatório
  • Educador físico, com orientação específica para melhorar mobilidade e circulação
  • Fisioterapeuta, especialmente em casos mais avançados ou com impacto na marcha
  • Especialistas em drenagem linfática, uma técnica que pode ajudar a aliviar inchaços e desconfortos

Para isso, em meu consultório em Recife, realizo o diagnóstico e conduzo o tratamento do lipedema, sempre de forma personalizada e com foco em devolver qualidade de vida às minhas pacientes.

Se você desconfia que tem lipedema, ou já recebeu esse diagnóstico e quer entender melhor as opções de tratamento, estou à disposição para te orientar. Entre em contato

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